Catende e o Trem de Alagoas

Não sei vocês, mais a cada comercial informando o recadastramento eleitoral em algumas cidades como Catende eu obrigatoriamente lembro de Ascenso Ferreira com o seu poema Trem de Alagoas. Lembro de tal forma que recito toda sua estrofe (repetitiva) a cada comercial.

Logo após isso tenho que me lembrar de Agnild Trindade. Uma professora de dificilmente repetia as roupas e que até hoje me faz lembrar de alguns poemas do nada e de não apertar os olhos em algumas leituras para não criar rugas antes da hora.

O sino bate,
o condutor apita o apito,
Solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar…

– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…

Mergulham mocambos,
nos mangues molhados,
moleques, mulatos,
vêm vê-lo passar.

Adeus !
– Adeus !

Mangueiras, coqueiros,
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bons de chupar…

– Adeus morena do cabelo cacheado !

Mangabas maduras,
mamões amarelos,
mamões amarelos,
que amostram molengos
as mamas macias
pra a gente mamar

– Vou danado pra Catende,

vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…

Na boca da mata
ha furnas incríveis
que em coisas terríveis
nos fazem pensar:

– Ali dorme o Pai-da-Mata
– Ali é a casa das caiporas

– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…

Meu Deus ! Já deixamos
a praia tão longe…
No entanto avistamos
bem perto outro mar…

Danou-se ! Se move,
se arqueia, faz onda…
Que nada ! É um partido
já bom de cortar…

– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…

Cana caiana,
cana rôxa,
cana fita,
cada qual a mais bonita,
todas boas de chupar…

– Adeus morena do cabelo cacheado !

– Ali dorme o Pai-da-Matta !
– Ali é a casa das caiporas

– Vou danado pra Catende,
vou danado pra Catende
vou danado pra Catende
com vontade de chegar…

O poema foi musicado. Tenho a versão de Villa-Lobos e de Simone. Não sei qual é a melhor.

Anúncios