Só Garotos – Patti Smith

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Existem livros que foram criados para serem lidos em certos momentos. Livros que combinam com uma varanda ventilada, com o aconchego dos lençóis e travesseiros. Tem livros que só falta ter cheiro de dia chuvoso ou um ar levemente salgado.

Tem livros envolventes que levantam o seu ânimo, que te deixam leves, que te instigam para o desconhecido ou te apresentam outros fatos do mesmo problema. Ainda existem aqueles que de deixam pesada, triste e mesmo assim não conseguimos para de ler. Quando a leitura de uma obra flui, ela não deveria ser interrompida por outras leituras, mesmo que essas outras sejam obrigatórias.

E foi esse peso e essa fluidez que eu senti ao ler os primeiros 19% do livro em uma hora de almoço. Li entre duas cadeiras com perna esticada ou encolhida numa bola e a Interrompi a contragosto da curiosidade e pela necessidade de tentar sair daquele clima dos anos 60 e voltar para tickets, contratos, processos, sistemas. E mesmo assim passei a tarde pesarosa, apesar de ser a minha primeira em 6 dias sem analgésico.

Um mês depois eu terminei. Fui adiando, adiando me envolver com este livro lindo e triste com o final todos já sabemos. Vale à pena? Vale. Vamos contextualizar o livro:

Patti Smith and Robert Mapplethorpe 1969

Trata-se da história de amor (amor amigo, amor irmão, amor amantes) entre Robert Mapplethorpe e Patti Smith. Uma relação de altos e baixos, encantadora entre dois artistas que sabiam que o que faziam era arte só não sabia qual arte teria mais conexão com a sua alma. Eles existem e deixaram sua marca. Se gostar de fotos P&B talvez já tenha cruzado com o trabalho de Robert antes por ai, por exemplo.

Este livro é cheio de momentos encantadores. Uma passagem dele já está presente em um post daqui do blog, quando falei dos 4 anos do meu Kindle Posso contar um Spoiler que não é spoiler? Robert fez parte dos inúmeros casos de morte por Aids no final da década de 80 e início dos anos 90

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